Conservatório Dramático de SP agoniza, em lugares emprestados

19 out

O piano isolado no fundo de uma sala de aula pouco lembra uma das mais importantes escolas de música de São Paulo.

O Conservatório Dramático Musical foi, no século passado, um dos principais polos culturais da cidade e era frequentado por artistas renomados, como o músico e escritor Mário de Andrade e os maestros Camargo Guarnieri e Gomes Cardim. Mas o auditório e as salas de aula já não recebem o som dos instrumentos. Após ter o prédio desapropriado no ano passado, a instituição passou a funcionar em locais emprestados, com instrumentos de terceiros, e pode já não existir no próximo semestre.

As mais recentes dificuldades são consequência de dois decretos do então prefeito José Serra. Em um deles, foi determinada desapropriação do prédio onde a instituição funcionou por 99 anos para dar lugar à Praça das Artes – projeto para transformar em polo cultural o quarteirão atrás do Municipal.

O outro passou para o poder público todo o acervo de 19 mil volumes da biblioteca, com livros raros, partituras manuscritas e os prontuários dos alunos. “Nós temos uma vida naquele prédio, mas conseguiríamos sobreviver em outro lugar. O nosso acervo, porém, é imprescindível, é a nossa história. Além disso, como vamos manter a faculdade, se o MEC (Ministério da Educação) exige uma biblioteca?”, questiona o diretor do Conservatório, Júlio Navega.
A desapropriação foi concluída em junho do ano passado. Sem uma nova sede, a instituição levou de última hora computadores e documentos para uma sala emprestada pelo Sindicato dos Condutores de Transporte, também no centro. Os 20 pianos permanecem até hoje trancados no antigo prédio, enquanto que os instrumentos menores foram levados pelos professores para suas casas.
Um mês depois, a instituição se mudou para um espaço cedido pelo Centro Universitário da FEI, na Liberdade. “Nós ainda não estamos na rua porque amigos nos acolheram com a maior boa vontade. O espaço não é próprio para o ensino de música, mas somos muito gratos por ter esse apoio para tentar seguir em frente”, diz Navega. O contrato inicial de comodato terminou em dezembro, mas foi estendido até julho deste ano. Ainda não foi acertada renovação.
As aulas acontecem em uma sala de aula comum. Um piano emprestado pelo restaurador de instrumentos Giovanni Arone foi colocado no fundo do espaço e as cadeiras são afastadas para os encontros. “O ensino está prejudicado pois não temos uma acústica ideal. Quando entram os instrumentos de sopro, parece que os vidros vão estourar”, diz o professor Eduardo Escalante.

Folha.com

 

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