A Globo e o aborto do Serra

20 out

É no mínimo sui generis a situação vivida pela famiglia Marinho e os veículos de comunicação da Globo. Assumidamente defensores de Serra e que adoram veicular uma linha editorial que criminaliza os movimentos sociais, que ridiculariza aqueles que defendem um projeto nacional, adversários ferrenhos da política externa brasileira implementada a partir de janeiro de 2003.
Em verdade, há uma postura radical da famiglia Marinho em ser contra tudo aquilo que o Governo Lula/PT defende enquanto política de governo.
E aqui é preciso mais uma vez fazer três registros e um resgate:
1. a famiglia Marinho é contra o Governo, apesar de ter se fartado de ganhar dinheiro deste governo;
2. a famiglia Marinho teve inúmeros benefícios em linhas de financiamento (de igual modo que O Estadão);
3. o governo não teve nenhuma preocupação ou cuidado em fazer valer o seu poder na questão das concessões de rádios e TVs de grupos ligados a TV Globo;
4. o resgate necessário: os petistas babam de desejo, algo que seguramente uma terapia poderia ajudar a resolver, de aparecer na TV Globo. Diria até que têm sonhos eróticos sendo entrevistados pela ex-vênus platinada, hoje reles e sabuja enlameada. Mas é patético observar o desejo de ser entrevistado0 pela Globo. Ridículo seria mais correto dizer.
Diante de um quadro assim tão favorável, a Globo quer Serra por uma questão de afinidade ideológica. De apego ao neoliberalismo – quem sabe na esperança de ‘ganhar’ alguma empresa a ser privatizada.
Mas a Globo também é – ou ainda é – uma empresa jornalística.
E agora está diante de um dilema: como tratar a questão do aborto que, segundo duas testemunhas, teria sido confessado por Mônica Serra em aulas? Continuar omitindo o assunto, como tem feito até agora – ainda que no horário eleitoral gratuito o assunto já tenha sido veiculado? Fingir que nada existe, mesmo o assunto sendo veiculado em jornais, rádios e TVs ‘rivais’? Deixar a água passar por debaixo da ponte, olhando descuidadamente para o outro lado e assim nem reparar que até mesmo ‘seus’ blogueiros tratam do assunto?
O dilema (e/ou quem sabe medo) do jornalismo Global – que me parece ser administrado pelo departamento comercial da empresa – está numa sutileza: se ela der publicidade e veicular o desmentido do carcamano Serra e sua esposa acerca do aborto, estará levantando a bola para o principal assunto político deste 2º turno que para ela ainda não é jornalismo (similar ao imbróglio Paulo Preto, igualmente ignorado pela famiglia Marinho). Se não veicular, estará desrespeitando seu ‘público’, mas para a famiglia isso parece ser coisa de menos importância.
É por estas e outras que apenas alguns petistas ainda continuam tendo sonhos com a Globo, cada vez mais venal, cada vez mais enrascada nas suas próprias contradições.

Em tempo:

Que fique bem claro: não faço nenhum juízo de valor ou julgamento da opção que Serra e Mônica fizeram acerca do aborto. Alegar situação de ‘vulnerabilidade’ é tão óbvio que chega a ser risível: toda mulher e/ou casal é levado ao aborto por uma situação de vulnerabilidade. O que resta aguardar é se o Serra terá uma atitude de homem e vai ser solidário com a esposa Mônica ou vai deixar sobre os ombros dela a responsabilidade individual de uma prática que, no caso do casal, sempre é tomada pelos dois.

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